Ex-vereador e pré-candidato a prefeito de Brumadinho é denunciado pelo MP por calote em compra de carro

Foto: divulgação Camara de Brumadinho

Ex-vereador e pré-candidato a prefeito de Brumadinho é denunciado pelo MP por calote em compra de carro

10 de maio de 2024 Off Por capitaldosvales

Segundo o MP, Guilherme Morais comprou caminhonete de R$ 200 mil com 20 cheques pré-datados, mas sustou pagamentos. Político já promoveu festa na pandemia e, no ano passado, foi preso por atirar em um homem.

O ex-vereador mais votado de Brumadinho e pré-candidato a prefeito do município, Guilherme Morais (PSD), foi denunciado por estelionato, nesta quinta-feira (9), pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). O político já foi preso por atirar em um homem durante uma discussão e esteve envolvido em polêmicas na pandemia (entenda mais abaixo).

Segundo a promotoria, em 2021, ele comprou uma caminhonete de R$ 200 mil com 20 cheques pré-datados, mas sustou os pagamentos na sexta parcela. Procurado pelo g1 para um posicionamento, Morais afirmou que teve um desacordo comercial e que “trata-se de uma perseguição política” (veja mais abaixo).

Ainda de acordo com o órgão, para garantir a efetivação do crime, o ex-vereador passou o documento do carro para o nome dele e, em seguida, transferiu o veículo para uma terceira pessoa, deixando a vítima com um prejuízo de R$ 152 mil.

“Assim, aquele que sabendo que o cheque que emite não tem fundos no presente e/ou não terá no futuro pratica o tipo básico do artigo 171, servindo-se desse instrumento (cártula pós-datada) para obter vantagem indevida em prejuízo alheio”, argumenta o promotor Mário Konichi Higuchi Júnior, em trecho da denúncia.
No documento, o MP ofereceu a suspensão condicional do processo, desde que sejam cumpridas as seguintes medidas, pelo período de dois anos:

proibição de frequentar determinados lugares, tais como bares, prostíbulos, casas de jogos etc.;
proibição de ausentar-se da comarca onde reside, sem autorização do juiz, em viagens superiores a sete dias;
comparecimento pessoal e obrigatório a juízo, mensalmente, para informar e justificar suas atividades, pelo prazo de dois anos;
reparar o dano causado à vítima ou restituir-lhe a coisa, exceto na impossibilidade de fazê-lo;
pagar prestação pecuniária, no valor de R$ 10 mil, em conta bancária a ser informada pelo juízo.
A denúncia foi encaminhada ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) para análise.

O que diz o denunciado
Ao g1, na noite desta quinta-feira (9), Guilherme Morais afirmou que teve um desacordo comercial com a vítima. Conforme um boletim de ocorrência registrado por ele, a suspensão do pagamento ocorreu depois que o veículo foi entregue com avarias e defeitos.

“Trata-se de uma perseguição política por liderar as intenções de votos em todas as pesquisas da cidade”, completou.
No início da tarde desta sexta-feira (10), o ex-vereador enviou outra versão para equipe de reportagem. De acordo com Guilherme, nos anos de 2020 e 2021, ele trabalhou em um escritório de advocacia e, neste período, comprou uma caminhonete do proprietário da empresa.

Afirmou que, com o desligamento das suas funções, teria que receber uma quantia. Segundo ele, como não recebeu o valor acordado, decidiu suspender o pagamento do automóvel, para não sair no prejuízo.

“Fizeram um acordo de me pagar em 15 dias. Não pagaram. Não restou outra opção. Procurei a polícia, registrei um boletim e sustei os pagamentos, por orientação do advogado. Foi o que eu fiz. O processo segue. Eu tenho meu direito”, disse em um vídeo enviado à Globo.
Por nota, a defesa de Guilherme afirmou que não foi intimado pelo Ministério Público. Informou também que o ex-vereador “foi obrigado a suspender os pagamentos dos cheques, em de ocorrência do desacordo comercial havido entre as partes”.

Várias polêmicas
Esta não é a primeira vez que Guilherme Morais se envolve em polêmicas. Em maio de 2021, durante a pandemia da Covid-19, ele promoveu uma festa com dezenas de convidados aglomerados para comemorar o aniversário de 28 anos, em um condomínio fechado de Brumadinho.

Vídeos mostraram diversas pessoas em pé, dançando ao som de shows de bandas e de um DJ, sem usar máscaras ou cumprir distanciamento social (veja abaixo).

Vereador mais votado de Brumadinho promove festa de aniversário com dezenas de convidados

Na época, Morais era vereador e assumiu que esteve em uma comemoração, mas negou que fosse dele. Um decreto municipal que estava em vigor proibia a realização de festas e eventos “de qualquer natureza”, públicos ou privados, como medida de combate ao coronavírus.

Com 1.041 votos, ele foi o vereador mais votado da história da cidade da Grande BH nas Eleições Municipais de 2020. A repercussão negativa da festa gerou a expulsão do Partido Verde (PV) por “desvios éticos”. Em março de 2023, a Câmara recebeu um pedido de cassação do mandato.

Durante a abertura de uma sessão parlamentar, Morais entregou uma carta com o pedido de renúncia à presidência da casa legislativa. Um apoiador dele chegou a agredir um pastor que subiu à tribuna para fazer uma denúncia sobre um suposto abuso sexual contra um adolescente.

Pastor é agredido enquanto usava a tribuna da Câmara de Brumadinho, na Grande BH

Em agosto do ano passado, Guilherme Morais oficializou a pré-candidatura à Prefeitura de Brumadinho. Em setembro, ele foi preso por suspeita de atirar em um homem com quem teve uma discussão.

Segundo a Polícia Militar, a vítima contou que o ex-vereador estava flertando com a mulher dele. Nas redes sociais, o político postou um vídeo em que aparecia com um hematoma no olho direito e afirmava ter sofrido uma tentativa de homicídio.

Ex-vereador de Brumadinho é preso e diz que sofreu uma tentativa de homicídio

Na ocasião, a defesa dele disse que o ex-parlamentar tinha porte de arma, “devidamente legalizada”, e que ele vinha sendo ameaçado pela vítima.

O g1 procurou a Polícia Civil para saber o andamento de todas as investigações envolvendo Guilherme Morais e aguarda retorno.

Com informações do Portal G!

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